Em Abril de 2013, eu estava aplicando para entrar na faculdade onde hoje estudo, e uma das várias tarefas que eu precisava completar, para eles sentirem qual era a minha ideologia, era escrever uma frase que melhor me representava. Como um bom brasileiro faria, fui buscar uma frase bonita e de efeito na internet, e me deparei com uma frase que, coincidentemente, representa muito a maneira como enxergo esse mundo. Disse Winston Churchill: o pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade. Eu, vejo uma oportunidade em cada dificuldade.
A
Parashá dessa semana começa com uma história um tanto triste, o falecimento de
nossa matriarca, Sara. Ao descrever os cento e vinte e sete anos que Sara tinha
quando faleceu, o primeiro passuk da Parashá repete em seu final as palavras “e
esses foram os anos de Sara”. Daqui aprende Rashi que o passuk quer nos mostrar
que todos os anos da vida de Sara possuíram uma mesma característica: foram
extremamente bons.
Ao
citar alguns episódios presenciados por Sara em sua vida, não demora muito para
percebermos que as palavras de Rashi precisam de uma explicação. Aqui seguem
alguns deles:
1-
Saiu de sua terra, abandonou sua
casa, para acompanhar Avraham em uma longa viagem com um destino indefinido.
2-
Após se deparar com uma grande
seca, viajou até o Egito, terra promiscua, onde era, com certeza, a mulher mais
bonita. Além disso, foi separada de Avraham e levada para o Faraó.
3-
Um dos principais desafios enfrentados
por Sara foi o fato dela ter sido infértil por muitos anos. Inclusive, por causa
disso, Avraham teve um filho com sua serva, Hagar, e Sara a teve de aturar,
junto com o filho Ishmael, dentro de sua própria casa. Itschak só nasceu quando
Sara tinha noventa anos.
4-
Após toda essa dificuldade de ter
um filho, Sara o vê sendo levado para ser sacrificado. Essa inclusive foi a
causa de sua morte.
Após
essa série de acontecimentos complicados e tensos, como é possível dizer que
Sara teve uma vida boa?
Quais
são os fatores que fazem a vida de alguém ser considerada boa? Será que para se
chegar nessa conclusão deve-se analisar apenas o número de desafios e
dificuldades que a pessoa enfrentou? Claramente, pelas palavras de Rashi,
entende-se que não. Pois se fosse assim, não haveria como ele afirmar que Sara
teve uma vida na qual todos os seus anos foram bons. Os verdadeiros parâmetros se
para fazer uma analise complexa, são as consequências, como os acontecimentos
vivenciados foram enfrentados, e quais foram os seus resultados Analisando os
quatro episódios citados acima:
1-
Sara chegou em Israel, e lá morou
por uma boa parte de sua vida.
2-
No Egito, ninguém nem chegou a
tocar em Sara, e alem disso o Faraó ainda lhe deu muitos presentes quando ela
foi embora com Avraham.
3-
Foi difícil, mas Itschak veio ao
mundo, trazendo muita alegria, adicionando o primeiro elo na verdadeira descendência
de Avraham.
4-
O falecimento de Sara realmente
foi causado pelo Satan. Ele lhe disse que Itschak tinha realmente sido
sacrificado, e consequentemente estava morto. O grande espanto levou ao
falecimento de Sara, que já estava bem velha. A circunstância em si da Akedat
Itschak serviu para elevar e santificar, tanto Avraham quanto seu filho, ao cumprirem
a vontade de Hashem, o que deu méritos para muitas gerações futuras.
Explica
o Zohar que Sara foi a única mulher na Torá que teve os anos de sua vida contados,
após o seu falecimento, e o motivo disso foi o fato de Sara ter tido sucesso e
bons resultados em todos os seus problemas e desafios. Assim, Rashi escreve com
muita precisão que, sem exceção, todos os anos da vida de Sara foram bons.
Não
existe uma vida sem desafios. Problemas não passam em branco na biografia de ninguém.
Intempéries, com certeza vão surgir. Contudo, não serão esses que vão ditar o
ritmo e a qualidade, mas sim o que será feito para enfrentá-los, como será a reação
e quais coisas boas poderão ser tiradas. Se não houver desânimo ou desistência,
se o melhor for dado, com certeza as soluções virão e os resultados atingirão o
nível máximo esperado: ingredientes para uma vida boa.

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