Três pessoas de Am Israel foram conhecidas por serem pessoas incrivelmente humildes.
Avraham, Moshe e David. Para representar suas respetivas humildades, cada um
deles usou uma frase, que virou famosa, quase como um jargão. Na Parashá dessa
semana encontramos o comentário de nosso primeiro patriarca, dizendo que ele
era “como o pó e as cinzas”, e que, portanto, não tinha autoridade para discutir
com Hashem sobre a destruição da cidade de Sdom.
O
que há de especial no pó e nas cinzas, que Avraham escolheu justamente para lhe
representar? Explica o Beit Halevi (R Yossef Dov Soloveitchik, Rússia,
1820-1892) que o pó (da terra) não possui nenhuma importância em relação ao seu
passado, nunca foi nada demais. Apenas se pensarmos no futuro, ele possui certo
potencial, pois é na terra que plantamos e crescem os vegetais. Já as cinzas,
pelo contrário, não possuem nenhuma característica positiva, nenhum valor, nem
nada a oferecer no futuro, porém no passado já foi alguma coisa, algum objeto
que possuía valor. Avraham comparou-se com o pó em relação ao passado e com as
cinzas em relação ao futuro, ou seja, dizendo que ele não é nada, nunca foi
nada e nunca será alguma coisa.
Explicam
nossos sábios que justamente por causa dessa humildade de Avraham, Am Israel teve
o mérito de ter as cinzas da vaca vermelha e do pó de Sotá. O que isso tem a ver? As
cinzas da vaca vermelha, ao contrário do que disse Avraham, possuíam um grande valor
pro futuro, de purificar aqueles que haviam entrado em contato com
algum morto. O pó da terra, por sua vez, possuía seu valor, quando usado no caso
da Sotá misturado com a água, era capaz de mostrar o que havia acontecido no
passado, se a mulher pecou ou não.
Avraham,
que conversava diretamente com Hashem, Lhe deixou sozinho para atender visitas,
e depois discutiu com Ele em relação à destruição de Sdom, se considerava como
pó e cinzas. Moshe, que tirou Bnei Israel do Egito e lhes liderou por 40 anos
no deserto, disse que não era nada. E o grande rei David, se considerava um
verme. Todos, claro utilizando metáforas para demonstrar a sua humilde. Quem então,
somos nós?

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