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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Acharei Mot - Aharon, O Irmão de Moshe


No início da Parashá dessa semana, após o trágico falecimento dos dois filhos de Aharon, Moshe transmite para seu irmão um mandamento dizendo que ele não poderia entrar no santuário do Mishkan quando bem quisesse. Haveriam períodos específicos nos quais seria permitido para Aharon entrar lá. Ao analisarmos o passuk que nos relata Hashem passando essa ordem à Moshe para este transmitir ao irmão, notamos uma linguagem interessante: “diga à Aharon, o seu irmão, que não vá a qualquer momento para o santuário” (Acharei Mot, 16,2). Todos sabem que Aharon é irmão de Moshe. Inclusive, o próprio Moshe, obviamente sabia disso. Por que então Hashem precisou mencionar para Moshe dizer à Aharon, “o seu irmão”?
Sobre essas palavras, diz o Midrash que Hashem estava dizendo para Moshe o seguinte: “diga à Aharon, o seu irmão, aquele mesmo que te encontrou, há muitos anos, quando você foi nomeado o redentor do povo judeu no Egito, e se alegrou por isso.” Por esse motivo o passuk diz “Aharon, o seu irmão”, em alusão àquele episodio no Egito.
Porém, qual a relação daquele acontecimento, ocorrido muitos anos antes, com o atual momento e o mandamento que Moshe tinha que passar para Aharon?
A explicação se encontra na natureza dessa lei. Moshe deveria avisar o seu irmão Aharon que, a partir daquele momento, ele estaria proibido de acessar o santo dos santos no Mishkan fora dos períodos permitidos. Moshe, por outro lado, era a única pessoa do povo que não possuía essa restrição, e tinha livre acesso. Sendo assim, Moshe imaginou que se fosse ele quem transmitisse essa mensagem para Aharon, isso causaria no irmão mais velho um sentimento de inveja. E foi exatamente respondendo à essa preocupação, que Hashem recordou à Moshe quem era Aharon: “o seu irmão, que, quando viu o irmão menor sendo escolhido para ser o salvador do povo no Egito, se alegrou e não teve nenhuma inveja”. Moshe não precisava ficar preocupado, pois Aharon não era invejoso. Ele sabia de suas qualidades, entendia suas limitações, e respeitava o fato de seu irmão menor ser diferente, possuindo alguns privilégios que ele próprio não tinha.
Aharon nos ensinou, em dois episódios distintos, a importância de não se comparar com o outro, de entender qual é a sua posição, e aceitar o fato de outros serem diferentes. Se comparar com outras pessoas com o simples objetivo fulo de aferir quem é “melhor”, não leva a nada. Temos que nos comparar com nós mesmos e refletir se estamos melhores hoje, do que estávamos algum tempo atrás.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Acharei Mot - Renove o Seu Guarda-Roupas

Uma vez um amigo meu me contou que a cada ano sua mãe abre seu armário de roupas, seleciona a grande maioria das peças e manda para a doação. Após essa limpa, eles vão às compras, geralmente quando estão viajando nos Estados Unidos. Eu sempre lhe disse que isso é um absurdo. Qual seria o motivo de se livrar tão rápido de suas roupas? Cansou? Já não possuem mais a mesma qualidade? Nunca entendi isso. Porém, pode ser que o que sua mãe tinha em mente é uma ideia presente na Parashá dessa semana.
No início da Parashá nos é narrado todo o serviço que o Kohen Gadol, Aharon, fazia em Yom Kipur. É famoso o fato que todas as vezes que entrava no local mais santo do templo, ele retirava as roupas de ouro que estava usando e vestia roupas brancas. Em uma dessas vezes, a Torá descreve a seguinte cena que se passa depois que Aharon saía do Kodesh Hakodashim de onde havia retirado o incenso (16:23): “E Aharon tiraria suas roupas de tecido que acabara de usar no local santo, e as colocaria lá”. Uma parte desse passuk nos chama atenção. O que significa que Aharon “colocava suas roupas lá”? Onde era “lá”, e por que a Torá precisa nos dizer isso?
Rashi no local responde a primeira pergunta. Ele diz que colocar as roupas “lá” é na verdade uma importante lei a ser seguida todos os anos: as roupas que foram usadas no serviço de Yom Kipur daquele ano deveriam ser guardadas, e não poderiam nunca mais ser usadas no futuro. Porém, Rashi não nos explicou o motivo disso.
O Lubavitcher Rebe explica que a razão pela qual o Kohen não podia “repetir” as roupas no próximo ano é justamente a essência do trabalho de Yom Kipur. Em português, todos conhecem o famoso nome dado ao jejum: o dia do perdão. Na época em que o Beit Hamikdash existia, o trabalho lá realizado pelo Kohen Gadol era tão poderoso que fazia o povo se arrepender de seus pecados que haviam cometido no ano anterior. Além disso, sabemos que o próprio dia de Yom Kipur em si já limpa os pecados das pessoas. Cada ano que passa, somos renovados, limpos e saímos de Yom Kipur revigorados para seguir em frente. Sendo assim, o Kohen Gadol, que também passava por esse processo de renovação, não podia repetir a mesma roupa no próximo ano pois elas não seriam mais adequadas para vestir essa “nova pessoa” que realizaria o serviço sacerdotal. Para a edição melhorada do Kohen Gadol que se encontraria no templo no ano seguinte, era necessária uma nova roupa, feita sob medida.

Nós, principalmente as mulheres, temos de fazer jus à todas as roupas novas que compramos. Agora temos um motivo! Baseado nesse passuk dessa Parashá, cada vez que crescemos espiritualmente e melhoramos nossos atos, incluímos algo de positivo em nosso dia, deveríamos nos dar ao luxo de comprar uma peça de roupa nova, uma vez que somos transformados em novas pessoas. Que o incentivo do consumismo influencie a todos!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Dvar Tora - Acharei Mot


Prezando Pela Vida

No final dessa Parashá, após as leis sobre as relações proibidas serem trazidas, temos um passuk: “Voces devem cumprir as Minhas mitsvot e Minhas leis, que o homem deve pegar para si e viver sobre eles”. Hashem nos diz que devemos sempre viver respeitando seus mandamentos. Esse passuk é a fonte de um famoso e importante ensinamento. Nossos sábios, na Guemará de Sanhedrin (74 a) explicam que é desse passuk que aprendemos a lei que devemos transgredir o shabat para salvar uma vida. Pikuach Nefesh, perigo de vida, é um motivo para o shabat ser transgredido. Por isso que o passuk diz “e viver sobre eles”, ou seja, uma vida não pode ser perdida por causa de alguma mitsva. Existem duas outras ocasiões nas quais também transgredimos o shabat: Brit Mila (mesmo que tira sangue da criança, e isso não poderia ser feito no shabat), e os sacrifícios na época do Beit Hamikdash. Por que justamente nesses três momentos, o shabat pode ser transgredido?
Shabat é sinônimo de vida. Toda semana, quando entra o shabat, recebemos uma segunda alma, um símbolo de vitalidade. Todos sabemos que existem três proibições que se uma pessoa encontra-se numa situação que as envolve, ela deve dar sua vida, e não violá-las. Estas são: assassinato, idolatria e relações proibidas. Cada uma das ocasiões descritas acima, que deve-se transgredir  o shabat para elas, é um paralelo à essas três proibições que deve-se dar a vida por elas.
Salvar a vida de uma pessoa, é a primeira ocasião na qual deve se abrir mão da “vida”, a alma extra do shabat. Isso é uma oposição à proibição de assassinato. Brit Mila, a santificação do corpo do bebê, também é feito no shabat, uma vez que ele é um oposto à proibição de relações proibidas. E os sacrifícios do templo, como já explicamos em outras ocasiões, segundo o Rambam, vem para anular a idolatria do povo. Portanto, há uma ligação direta entre as três proibições mais graves da Tora, nas quais se deve dar a vida, e as três mitsvot pelas quais transgredimos o shabat, sinônimo de vida. O judaísmo preza pela vida, e portanto abre-se mão da vida espiritual do shabat, de nossa segunda alma, para preceitos ligados à vida.


OBS: Já que o Dvar Torá foi adicionado sexta feira de manhã e o meai automático demora para chegar, pode ser que ele chegue já no shabat...