sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pinchas - Penso, Logo Mudo

Na Parashá dessa semana, encontramos um acontecimento interessante. Logo após Hashem explicar para Moshe como a terra de Israel seria dividida entre as tribos e as famílias, cinco mulheres se aproximaram de Moshe com uma pergunta sobre a divisão da terra. A lei dizia que apenas os homens tinham o direito de receber um pedaço de terra, uma vez que as mulheres, caso recebessem também, se casariam com homens de outras tribos, e a terra passaria a fazer parte do território dessa outra tribo, gerando uma bagunça e um descontrole. No caso dessas cinco mulheres, seu pai havia falecido e elas não tinham nenhum irmão. Então perguntaram para Moshe por que elas não mereciam receber um local para morar, apesar do fato de não haver homens em sua família.
Moshe respondeu que não sabia o que deveria ser feito (se ele deveria inclui-las na divisão da terra ou não), e foi perguntar para Hashem o que fazer. Rashi no local explica que nessa hora Moshe não estava ao par da lei, e por isso teve que ir perguntar. Segundo Rashi, isso aconteceu como uma punição para Moshe, que anteriormente (na Parashá Itro), quando ele escolheu juízes para o povo, disse: “todas as coisas que vocês não souberem, venham perguntar à mim”. Ou seja, faltou a Moshe um pouco de humildade naquela hora, e um pouco significa muito quando se trata da pessoa mais humilde que já existiu. Por isso, Moshe foi punido agora, e teve que ir perguntar uma lei que ele não sabia.
Em outra ocasião, aconteceu algo parecido. Após Moshe explicar para o povo sobre a festa de Pessach que aconteceria no deserto e as leis sobre o korban Pessach, chegaram para ele pessoas impuras, que não poderiam trazer a oferenda, e perguntaram se não haveria outra data na qual poderiam cumprir o Pessach, quando já estivessem puros. Moshe não sabia o que dizer, e foi perguntar para Hashem, que lhe respondeu dizendo para fazerem o Pessach Sheni (um mês depois, sacrificarem o korban). Sobre este caso, Rashi dá uma explicação totalmente diferente da que trouxemos no caso anterior. Ele escreve que Moshe era um virtuoso por poder falar com Hashem sempre que quisesse. Quando pintava qualquer dúvida, era D’us quem a tirava.
Qual a diferença entre os dois casos? Por que quando Moshe não soube a resposta sobre a divisão da terra Rashi escreve de forma depreciativa que isso foi uma punição, ou seja, algo ruim,  e quando Moshe não soube a resposta sobre Pessach Sheni e foi perguntar para Hashem Rashi escreve que isso foi algo positivo?
Se prestarmos atenção, há uma diferença muito grande entre os acontecimentos. As pessoas que estavam impuras e vieram perguntar se não havia outra data para ser comemorado Pessach, queriam modificar o calendário judaico. Acrescentar uma nova data, que anteriormente não foi estipulada, para ser sacrificado o korban Pessach novamente. Moshe não tinha a obrigação de saber a resposta para tal pedido, e nem tinha autoridade para tomar tal decisão. Por isso, foi falar com Hashem. E mostrou que era “sortudo” de poder falar com D’us sempre que precisava. Porém, no caso das cinco mulheres que reivindicaram um pedaço da terra de Israel, era uma pergunta comum e obvia. Quantas famílias será que não existiam com apenas mulheres integrantes, que já não possuíam um pai para receber terra? Com certeza elas não eram as únicas. Portanto, Moshe deveria ter perguntado para Hashem na hora em que lhe foram explicadas as leis da divisão da terra, o que fazer num caso destes. E o fato de ele não ter feito isso foi sua verdadeira falha.

Quando participamos de alguma mudança em nossas vidas, de algo novo, temos de estar ao par de todos os detalhes. É necessário entender o máximo sobre o assunto, antes de tomarmos qualquer decisão. É complicado, mas temos de tentar analisar e imaginar tudo o que pode vir a acontecer como resultado deste novo passo. Assim, problemas serão evitados, e não vamos ser pegos desprevenidos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário