Por estudar fora do Brasil e estar
constantemente viajando e tendo que resolver imprevistos, tenho de lidar com um
grande numero de pessoas, de diversas culturas e estilos. Muitas dessas vezes
acabam me proporcionando uma situação na qual é muito fácil brigar, ficar
nervoso, e falar coisas não tão agradáveis. Certa vez, em um voo que peguei de
Nova Iorque para Madrid, fui atendido por um aero moço espanhol tão rabugento (daqueles
velhos e bigodudos), que me deu vontade de falar umas poucas e boas para ele. A
televisãozinha de meu lugar estava quebrada, ele não conseguia consertar, ficou
nervoso comigo, e jogou a culpa em mim! Como se eu a tivesse quebrado. Apesar da
opção que tenho de ser ríspido, sempre tento me controlar, manter a calma, e
agir da melhor forma possível com todos à minha volta.
Na Parashá dessa semana, encontramos o primeiro e único profeta não
judeu que existiu em toda a história: Bilam. Ele falava diretamente com Hashem,
é verdade que não na mesma intensidade com a qual profetas judeus o faziam,
porém ele conseguia dialogar com Hashem, e ouvir diretamente Dele suas ordens.
Balak, rei de Moav estava com medo da força do povo judeu que se aproximava, e
então chamou Bilam para amaldiçoa-los. Quem sabe o povo não sofreria uma
derrota numa luta espiritual.
Todos conhecem o resultado das tentativas de amaldiçoar o povo
executadas por Bilam: inintencionalmente, ele acabou abençoando o povo com
bênçãos muito poderosas, falando as palavras que Hashem colocou em sua boca.
Nessas bênçãos, são encontradas muitas parábolas e exemplificações. Poucas
palavras e expressões são interpretadas literalmente. Por isso, explica o Rebe,
Rashi dá explicações que não são muito comuns
para o seu estilo de comentário. Geralmente, ele se dedica a explicar
dificuldades e contradições nos psukim, esclarece coisas básicas. Porém, sobre
a profecia de Bilam, Rashi traz
explicações muito profundas e um pouco afastadas do sentido literal, uma vez
que não é possível entender o que é dito sem estas.
Um dos assuntos citados na profecia de Bilam é o desejo que ele tem de
ter uma morte como a das pessoas “corretas” de Am Israel. Ou seja, ele almejava
atingir o nível elevado das pessoas corretas do povo judeu, quando chegasse a
hora de sua morte. Quem são essas pessoas elevadas, e o que elas tinham de
especial?
Logicamente, Bilam não poderia estar almejando atingir um nível
espiritual como o dos lideres de Bnei Israel, pois ele sabia que era um profeta
não judeu e que suas raízes vinham da impureza. Explica o Rav Tubi, rabino
chefe do Kolel da Yeshiva de Kerem BeYavne, que Bilam almejava chegar no mesmo
nível de Avraham, Itschak e Yaakov, nossos três patriarcas. Estes eram os
“corretos”, a quem Bilam se referiu. Mas qual característica esses três tinham
em comum, que Bilam gostaria de ter também?
Nossos três patriarcas, além de muitas outras características
positivas, se destacavam por sua relação com as outras pessoas. O seu
comportamento interpessoal era exemplar. Não apenas com pessoas de suas
famílias, de seu povo. Eles eram íntegros na maneira como lidavam com pessoas
de outros povos também.
Vemos isto em Avraham, quando ele rezou copiosamente para que a cidade
de Sdom não fosse destruída. Só desistiu de seu pedido quando Hashem lhe
garantiu que isto não era mais possível. Mesmo que ele não tinha nada a ver com
Sdom! Também vemos isso em Itzchak, quando ele sempre tentou fazer a paz com
Avimelech, um rei que era seu inimigo, e vivia destruindo os seus poços de
água. E Yaakov, ao constantemente fazer as pazes com Lavan, apesar da péssima
conduta deste que sempre tentou o enganar, também se destacou pelo seu
relacionamento com os outros seres humanos. Nossos três patriarcas, sempre
procuravam a paz e a serenidade em suas vidas, evitando qualquer intriga com
quem fosse.
Bilam, na hora que estava abençoando o povo judeu, se viu fazendo o
oposto de nossos patriarcas. Ele estava tentando amaldiçoar um povo inteiro,
desejando o pior para milhares de pessoas. Por isso, um de seus pedidos em sua
profecia foi que ele alcançasse o nível
de Avraham, Itzchak e Yaakov, virando uma pessoa melhor.
A forma como nos comportamos e nos relacionamos com toas as pessoas,
definem quem realmente somos. Não apenas com conhecidos, amados e parentes. Com
todos. Cada pessoa é uma criatura de Hashem, e deve ser respeitada. Não somos
um povo que descriminaliza, como fazem outros por aí. Cada ato que praticamos,
possui uma consequência muito grande. Por um bom dia ou um obrigado, podemos
causar que pessoas respeitem e admirem mais ainda o nosso povo. Quando
melhorarmos nosso comportamento externo, poderemos melhorar a nós mesmos
internamente.
Que esse Dvar Torá, seja para a elevação da alma de Eyal, Guilad e Naftali, seqüestrados e brutalmente assassinados por terroristas. Que Hashem vingue os seus sangues.
Que esse Dvar Torá, seja para a elevação da alma de Eyal, Guilad e Naftali, seqüestrados e brutalmente assassinados por terroristas. Que Hashem vingue os seus sangues.

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