quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Vayechi - A importância do reconhecimento de um erro


Yaakov sabia que sua hora estava chegando. Então, decidiu, em seu leito, abençoar os seus filhos. Suas brachot são basicamente o que compõe grande parte da Parashá dessa semana. Porém, apesar de chamarmos de “brachot”, o discurso de Yaakov está longe de ser composto por meras bênçãos. Se analisarmos o conteúdo da fala de Yaakov a cada um de seus filhos, veremos um contraste muito grande. Em relação aos primeiros filhos, Reuven, Shimon e Levi, Yaakov aproveitou o momento para critica-los por erros que haviam cometido em suas vidas, ensinando-lhes lições comportamentais. Por exemplo, ele advertiu Reuven por ter se envolvido com as relações intimas do pai com suas esposas. Criticou Shimon e Levi por terem guerreado contra Shchem e destruído boa parte da cidade.
O próximo filho na fila era Yehuda. Diz o Midrash que ele estava morrendo de medo. Yehuda estava suando frio. Ao ver que o pai havia meniocnado os atos problemáticos dos irmãos, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi que Yaakov o criticaria pesadamente sobre o seu relacionamento com Tamar, sua nora. Porém, surpreendentemente, não foi isso que aconteceu. Yaakov parece ter mudado de personalidade, e, ao invés de censurar Yehuda, elogiou-o por ter admitido o erro naquele episodio!
Apenas relembrando a história: Yehuda passou a noite com Tamar, e não ficou sabendo que ela havia engravidado. Quando descobriu que Tamar estava para dar a luz, Yehuda mandou mata-la, pois ela não era casada. Porém, Tamar sinalizou a Yehuda que aqueles filhos eram dele próprio. Naquela hora, Yehuda reconheceu e admitiu o erro, poupando a vida de sua nora (há muitas explicações sobre este episódio).
Yaakov então viu nessa atitude de Yehuda algo tão forte para que deixasse de lado as suas criticas, a fim de salientar a forma como o filho havia agido. Por esse motivo o seu discurso foi diferente em relação à Yehuda.
Mas o que há de tão especial no fato de Yehuda ter admitido o erro?

Explica o Rav Chaim Friedlander (1840-1904, Hungria), que reconhecer um erro é o primeiro passo para a mudança. É essêncial para se fazer Teshuva (arrependimento dos pecados), uma condição sine qua non. Pois uma pessoa que não admite que está errada, nunca vai mudar de forma alguma, afinal, em sua opinião, não há nada que requeira uma melhora. Por esse motivo, a confissão é tantas vezes recitada durante as cinco rezas de Yom Kipur, apesar do principal durante o dia sagrado ser o arrependimento e o pedido de desculpas. Apenas quando há o reconhecimento de que houve uma falha é possível dar o próximo passo em direção a um futuro melhor.

Obs.: cada Parashá possui mais de um Dvar Torá. Você pode encontrá-los através dos marcadores no site, ou através da ferramenta de busca. Estes só funcionam no site Desktop.
Obs. 2: caso deseje receber um aviso quando o Dvar Torá for postado, envie um email para blogdodvartora@gmail.com.
 Obs 3: nos adicione no Facebook: Dvar Torá Semanal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário