Yaakov
sabia que sua hora estava chegando. Então, decidiu, em seu leito, abençoar os
seus filhos. Suas brachot são basicamente o que compõe grande parte da Parashá
dessa semana. Porém, apesar de chamarmos de “brachot”, o discurso de Yaakov
está longe de ser composto por meras bênçãos. Se analisarmos o conteúdo da fala
de Yaakov a cada um de seus filhos, veremos um contraste muito grande. Em relação
aos primeiros filhos, Reuven, Shimon e Levi, Yaakov aproveitou o momento para
critica-los por erros que haviam cometido em suas vidas, ensinando-lhes lições
comportamentais. Por exemplo, ele advertiu Reuven por ter se envolvido com as relações
intimas do pai com suas esposas. Criticou Shimon e Levi por terem guerreado
contra Shchem e destruído boa parte da cidade.
O
próximo filho na fila era Yehuda. Diz o Midrash que ele estava morrendo de medo.
Yehuda estava suando frio. Ao ver que o pai havia meniocnado os atos problemáticos
dos irmãos, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi que Yaakov o criticaria
pesadamente sobre o seu relacionamento com Tamar, sua nora. Porém,
surpreendentemente, não foi isso que aconteceu. Yaakov parece ter mudado de personalidade,
e, ao invés de censurar Yehuda, elogiou-o por ter admitido o erro naquele episodio!
Apenas
relembrando a história: Yehuda passou a noite com Tamar, e não ficou sabendo
que ela havia engravidado. Quando descobriu que Tamar estava para dar a luz,
Yehuda mandou mata-la, pois ela não era casada. Porém, Tamar sinalizou a Yehuda
que aqueles filhos eram dele próprio. Naquela hora, Yehuda reconheceu e admitiu
o erro, poupando a vida de sua nora (há muitas explicações sobre este episódio).
Yaakov
então viu nessa atitude de Yehuda algo tão forte para que deixasse de lado as
suas criticas, a fim de salientar a forma como o filho havia agido. Por esse
motivo o seu discurso foi diferente em relação à Yehuda.
Mas
o que há de tão especial no fato de Yehuda ter admitido o erro?
Explica
o Rav Chaim Friedlander (1840-1904, Hungria), que reconhecer um erro é o primeiro
passo para a mudança. É essêncial para se fazer Teshuva (arrependimento dos
pecados), uma condição sine qua non. Pois uma pessoa que não admite que está
errada, nunca vai mudar de forma alguma, afinal, em sua opinião, não há nada
que requeira uma melhora. Por esse motivo, a confissão é tantas vezes recitada
durante as cinco rezas de Yom Kipur, apesar do principal durante o dia sagrado
ser o arrependimento e o pedido de desculpas. Apenas quando há o reconhecimento
de que houve uma falha é possível dar o próximo passo em direção a um futuro
melhor.
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