A
Parashá dessa semana começa de uma maneira muito dramática, quando Hashem
decide mandar um dilúvio para a terra, a fim de destruir os seres humanos, que
estavam completamente corrompidos, cometendo inúmeros pecados. Apenas Noach e sua
família se salvaram. Sendo assim, é possível dizer que Noach e sua esposa eram
os novos “Adam e Chava” do mundo. Afinal, tudo havia voltado à estaca zero, e
eles foram os responsáveis por repovoar o planeta.
Porém,
a comparação entre as parshiot Noach e Bereshit vai muito além de seus
protagonistas. O Rabino Lorde Jonathan Sacks explica que é possível traçar um
paralelo entre os capítulos 1-3, de Bereshit, e 8-9, em Noach. Primeiramente,
nas duas ocasiões ocorre a repetição de uma palavra exatamente sete vezes. Em
Bereshit, a palavra é “Tov”, bom. Já em Noach, é “Brit”, pacto. Além disso, em
ambas as Parshiot consta uma comparação entre o homem e D’us. Em Bereshit está
escrito que Hashem criou o homem conforme Sua própria imagem. Já em Noach, essa
comparação é trazida em uma conotação bem mais complicada, quando Hashem disse
para Noach e seus filhos, assim que saíram da arca: “quem derrama o sangue de
um ser humano, seu sangue será derramado, pois o homem foi feito na imagem de D’us”
(Noach 9, 6).
É
muito forte a diferença entre os contextos das duas Parshiot. E para entender
essa diferença, temos de voltar um pouco no tempo, ates da criação do homem: “E
disse D’us: vamos criar o homem” (Bereshit 1,26). Explicam nossos sábios que o
passuk utiliza o plural (vamos), pois antes do homem ser criado, houve um
debate entre dois grupos de anjos: os anjos da bondade e da justiça advogaram a
favor da criação do ser humano, pois este possuiria um grande potencial para
praticar bondades e fazer justiça. Porém, os anjos da paz e da verdade foram
contra, uma vez que o homem lutaria guerras e contaria mentiras. No final desse
debate, Hashem, ao ouvir os dois lados da moeda, criou o homem e lhe deu o
livre arbítrio, com a esperança de que este naturalmente se tornasse bom. Por esse
motivo, a comparação entre a imagem do homem e a imagem de D’us é trazida,
devido ao potencial que o ser humano tem de criar, calcular, refletir, decidir,
e, sendo criado com a imagem de D’us o homem deveria usar tudo isso para o bem.
Porém,
infelizmente não foi o que aconteceu. Adam e Chava pecaram, ao comer do fruto
no Gan Eden. Cain assassinou o seu irmão. Na época de Noach, o mundo estava caótico.
Como diz a Torá, “Hashem viu como a maldade do ser humano era tanta na terra, e
sua inclinação era ruim constantemente” (Bereshit 6,5), então decidiu destruir as
pessoas, e recomeçar do zero. Esse recomeço não foi apenas físico. Foi também,
e, principalmente, conceitual. A partir do momento que Noach saiu da arca após
o diluvio, Hashem fez pactos com ele e seus filhos, lhes indicando como deveriam
ser as suas condutas, colocando leis e limites dentro dos quais o homem deveria
agir. Por isso que a imagem de Hashem em Parashat Noach é comparada com a do
ser humano em relação à proibição de matar. Pois o mundo ao qual Noach deu
inicio passou a ser o mundo das leis e do comprometimento. Uma vez que a raça
humana foi criada com a imagem de D’us, é proibido tirar a vida de um
companheiro.
Agora
podemos entender a diferença das palavras que são repetidas. Em Bereshit, quando
Hashem criou o mundo, tudo estava ótimo. As plantas, os animais, os astros, o
céu, a terra. Por isso que a palavra “Tov” foi repetida tantas vezes. Porém, os
seres humanos não seguiram este padrão, como disse Hashem depois do dilúvio: “e
Eu não amaldiçoarei mais a terra por causa do homem, pois o homem possui uma má
inclinação desde sua juventude” (Noach 8,21). Os seres humanos não são naturalmente
bons. E a solução para isso são os “pactos”, palavra repetida em Noach.
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