Nessa
semana começam as Paralimpíadas no Rio de Janeiro, quando atletas de 176 países
competirão em 23 esportes diferentes. Uma dessas modalidades é o futebol de 5,
mais conhecido como futebol para cegos. É impressionante a capacidade destes
atletas de praticar um esporte coletivo, com uma bola, sem conseguir enxergar.
Uma das principais ferramentas que os atletas do futebol de 5 utilizam é a audição.
Um estudo da Universidade de Montreal comprovou que quem não enxerga possui a audição
aguçada, podendo até chegar a desenvolver um mapa tridimensional do espaço,
usando a informação audível. É muito interessante este contraste entre a visão e
a audição, que também aparece em nossa Parashá.
“Veja!
Eu estou colocando perante vocês hoje a bênção e a maldição. A Benção, se vocês
ouvirem as Mitsvot de Hashem” (Ree 11, 26/27). Assim começa a Parashá dessa
semana. Moshe diz ao povo que há dois caminhos que podem ser escolhidos, e o
resultado depende apenas dos atos de cada um.
Como
cada palavra da Torá é minuciosamente escolhida, temos de entender a diferença dos
verbos usados. No inicio, a Torá traz o verbo “Veja!”, e depois diz que se o
povo “ouvir” as Mitsvot de Hashem, haverá as brachot. Qual seria o motivo desse
contraste entre os verbos “ver” e “ouvir”?
Para
entendermos essa diferença, precisamos analisar o que é que o passuk nos diz
para ver e ouvir. O segundo verbo está muito claro, devemos escutar as palavras
de Hashem, e cumprir os seus mandamentos. Já o significado da palavra “Veja!” não
está tão evidente. Será que Moshe quis dizer ao povo que deveriam ver ele
colocando a bênção e a maldição perante as pessoas? Estranho...
Em
hebraico, as primeiras palavras deste passuk são “Ree, anochi” (Veja, eu).
Anochi, porém, não é a forma comum de se dizer “eu”. Para isso, há duas outras
maneiras, bem mais frequentes: ou o sujeito é ocultado e entra dentro do verbo
conjugado, ou utiliza-se a palavra Ani. Por que, então, o uso da plavra Anochi?
Explica o Baal Haturim (1269-1340, Alemanha e Espanha) que Moshe fez questão de
usar a palavra Anochi, pois ele estava transmitindo uma mensagem ao povo: “Veja
o anochi!” Sempre tenha em mente o “Anochi”, os 10 mandamentos, que começam com
essa palavra. Estes são a base do judaísmo. Não apenas os 10 mandamentos em si,
como também o acontecimento da outorga da Torá, quando D’us se revelou
diretamente ao povo. Este episódio foi o ápice da proximidade entre Hashem e o
povo.
Agora
podemos entender a diferença entre a visão e a audição, utilizadas no passuk. A
visão é mais concreta do que a audição. Quando você vê algo, isso fica mais tangível,
tocável. Você sabe onde está. Por isso a Torá utiliza esse verbo relacionado
aos 10 mandamentos e a outorga da Torá. Estes sempre precisam estar presentes
em nossas vidas, concretos, quase que tocáveis. Aquele momento da entrega da
Torá deve sempre estar materializado em nossas mentes.
Porém,
a visão é algo mais geral, que engloba muitas coisas de uma só vez. Já a audição,
é muito mais profunda. Você foca exatamente naquilo que está ouvindo. Por isso,
muitas vezes quando queremos nos concentrar em algo que estamos fazendo,
fechamos os olhos. Assim, a Torá utilizou o verbo ouvir relacionado às Mitsvot
de Hashem, para nos dizer que devemos sempre prestar atenção em cada Mitsvá,
entender profundamente as implicações de cada uma, e cumpri-la como se fosse a
única.
Essa
é a receita para o sucesso no judaísmo, que, como descreve o passuk, acarreta
sempre um caminho de bênçãos: uma associação da recordação dos alicerces, dos
10 mandamentos, do período mais elevado da história do povo judeu, com a
profundidade e as particularidades de cada um dos mandamentos divinos.
Obs.: cada Parashá possui mais de um Dvar Torá. Você pode encontrá-los através dos marcadores no site, ou através da ferramenta de busca.
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