quinta-feira, 25 de junho de 2015

Balak - A Pedra Pune

ERRATA: Essa semana leremos apenas Parasita Chukat, e esse Dvar Torá, devido a problemas técnicos, é de Parashat Balak, que será lida na próxima semana. Desculpem pelo incidente.

Parashat Balak, trata do profeta Bilam tentando amaldiçoar Am Israel, a pedido de Balak. Todos sabemos que no final da historia Hashem fez saírem apenas bênçãos de sua boca, e mostrou quem estava no controle. Vamos analisar um detalhe interessante sobre a viagem de Bilam de sua terra até o local onde ele iria tentar amaldiçoar o povo.
Todos conhecem a famosa frase, “no meio do caminho tinha uma pedra”. Foi exatamente isso que aconteceu com Bilam. Enquanto ele viajava sobre sua mula, ele acabou sendo prensado entre duas cercas, e machucou sua perna. Rashi no local faz questão de dizer que essas cercas eram feitas de pedra. A pergunta que surge é qual a necessidade de sabermos de qual material era feita a cerca onde Bilam se machucou?
Para responder nossa pergunta, voltemos um pouco no tempo. Yaakov trabalhou por muitos anos para o seu tio Lavan, casou com suas filhas, teve filhos e ficou muito rico. Depois disso, ele deixou a casa de Lavan e foi perseguido por seu maldoso tio, o que resultou no seguinte acordo entre os dois: Yaakov colocou uma pedra no chão e disse que Lavan não deveria passar aquela pedra com a intenção de fazer nenhum mal a Yaakov ou a seus familiares, assim como Yaakov cumpriria os mesmos termos. Na verdade, a pedra era algo simbólico, e aquilo era na verdade um tratado de paz. Esse acordo deveria ser cumprido também pelas futuras gerações, e assim foi. O primeiro descendente de Lavan que quebrou esse pacto e tentou prejudicar os filhos de Yaakov, foi Bilam, exatamente em nossa Parashá, quando ele tentou amaldiçoa-los.
Por isso Rashi explica que a cerca que o machucou era formada por pedras. Pois a pedra, aquela mesma que presenciou o acordo entre os dois antepassados, Yaakov e Lavan, foi quem puniu o descendente do segundo quando este quebrou a promessa e ignorou o acordo que ambos haviam feito. Hashem fez questão de punir Bilam exatamente com o mesmo objeto que foi testemunha do acordo feito por seu antepassado, e que ele havia quebrado.

Parece que hoje em dia a palavra do ser humano perdeu completamente o seu valor. Pessoas fazem promessas, acordos, pactos e não dão nenhum valor para isso. Quebram as promessas, acabam com os acordos, e ignoram os pactos, com uma facilidade absurda, como se estes nunca houvessem existido. A mensagem desse episódio de Bilam é que mesmo muitos anos depois, e apesar de ter sido um pacto feito por um antepassado, a quebra do tratado que Yaakov fez com Lavan não passou em branco. Bilam não se safou. Honrar a própria palavra é uma característica que deveria estar constantemente presente em nosso dia a dia. Afinal, as faíscas de uma palavra sempre acabam atingindo quem a pronunciou.

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