quinta-feira, 16 de abril de 2015

Shmini - A Mensagem do Fogo




No inicio de nossa Parashá, temos o triste relato do passamento dos dois filhos de Aharon, Nadav e Avihu. Existem inúmeras explicações para o que causou sua morte. Uma delas diz que o grave erro que eles cometeram foi de trazer um fogo “estranho” pra dentro do Mishkan. Eles não deveriam ter trazido um fogo deles pra acender os incensos do Mishkan. Porém, o que há de tão errado nisso? Afinal, os sacerdotes no Mishkan várias vezes tinham que acender um fogo! Qual a diferença desse fogo de Nadav e Avihu, porque foi considerado estranho, causando as suas mortes?
Para entender o real problema implícito nas ações dos filhos de Aharon, vamos a uma introdução. Quando o fogo foi criado? Sabemos que tudo foi criado durante os seis dias da criação: água, luz, terra, animais, etc. Mas não está escrito nada sobre o fogo em Parashat Bereshit, no pedaço que narra a criação do mundo. Na verdade o fogo foi criado depois do primeiro Shabat da história, por Adam Harishon. Daquela maneira mesmo que imaginamos, um homem primitivo, com duas pedras, criou uma faísca com o atrito, e gerou o fogo.  Assim foi criado o fogo. Mas não é estranho o fato de haver uma criação nesse mundo que não foi feita por Hashem? Explica a Guemará de Psachim (54a) que o conceito do fogo já havia sido criado, o potencial para existir o fogo foi desenvolvido durante os seis dias da criação, porém Hashem deu ao homem a chance de materializa-lo. O fogo então é um ótimo exemplo de uma parceria do homem e de D’us na criação de algo material.
Por isso que existia uma lei que no Mishkan e também no Beit Hamikdash deveria sempre existir um fogo aceso no mizbeach. Diz o passuk em Parashat Vaikrá (6:6): “Um fogo permanente deve existir em cima do altar; ele não pode ser extinguido”. Por que isso? Justamente para representar o que falamos acima: o homem executa na prática, porém a força e o potencial vem de D’us. Essa ideia tinha que estar explícita constantemente no templo onde eram feitos os serviços divinos.
Agora podemos entender qual foi o verdadeiro pecado de Nadav e Avihu. Eles trouxeram o próprio fogo, que foi considerado estranho, antes de descer o fogo divino de lá de cima. Eles deveriam ter esperado Hashem ter feito a parte Dele, para depois colocarem em prática suas ações. Ao fazer o contrário, negaram essa mensagem do fogo, de que antes de fazermos nossos atos aqui no mundo, temos de receber a força de Hashem.
Somos sócios de Hashem em tudo o que fazemos. Ele nos fornece a energia, e com ela nós executamos atos e concretizamos acontecimentos. Temos de lembrar que antes de qualquer coisa que fazemos ou enfrentamos em nossas vidas, contamos com a ajuda de Hashem. Para isso, podemos rezar, pedir, conversar com Ele, para podermos atingir o melhor resultado em todas as nossas empreitadas.


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