Eis que eu estava andando na rua um dia desses, quando me deparei com
uma placa bastante comum pendurada nos postes de São Paulo: “Leio seu futuro em
cartas e nas suas mãos. Ligue para este número”, que estava embaixo do anúncio.
Pensei comigo mesmo que esses tipos de adivinhações não se passam de completas
baboseiras, que só servem para enganar os “trouxas”. Será que eu estava certo?
Na Parashá dessa semana, está escrito no passuk: “E não deve haver
dentro de vocês ninguém que pratique adivinhações do futuro, nenhum astrólogo,
nenhum leitor de presságios...você deve ser direto com Hashem”. Qual a relação
entre o começo do assunto, quando Moshe fala para o povo que não deve haver adivinhações
e assuntos do gênero, com o final, quando Moshe diz que devemos ser diretos com
Hashem?
Há uma grande discussão entre os nossos sábios sobre esses magos,
astrólogos e adivinhadores não judeus. O Rambam, mais
conhecido como Maimônides, diz que isso não existe, é tudo besteira. Ele fala
que não é apropriado para ninguém de Am Israel, um povo tão cabeça e racional,
acreditar nessas coisas que não se passam de meras enganações para atrair as
pessoas.
Já o Ramban,
Nachmanides, muito conhecido por discutir com o primeiro, diz que essas magias dos goim são verdadeiras e confiáveis.
Muitos outros comentaristas concordam com essa opinião. Por que então são
consideradas tão ruins pela Torá, a ponto de serem chamadas de abominações? A
resposta está justamente no final do passuk: “seja direto com Hashem”. Sobre
essas palavras, Rashi explica: ande sempre com Hashem, com simplicidade, procure
por Ele, e não tente entender o futuro.
Explica o Sfat Emet (1847-1905,
Polonia) que Am Israel está acima de qualquer previsão, magia e astrologia.
Mesmo que estas tenham um fundo de verdade, não quer dizer que sejam
inalteráveis. Nós, através de nossos atos, podemos mudar tudo, diferentemente
dos goim que ouvem a leitura das cartas do baralho e aceitam o que lhes é dito.
Isso que a Torá quer nos mostrar: não deve haver em Am Israel nenhuma dessas
adivinhações dos goim, uma vez que nosso futuro depende diretamente de nossas
ações e da nossa proximidade de Hashem. Temos de ser íntegros e viver sempre
“ao seu lado”.
Dizem que em Rosh Hashana é
decidido tudo sobre o ano que está por vir. Quanta parnassá cada pessoa terá,
se alguém terá um ano saudável, sorte nos estudos, etc. Por que então fazemos
pedidos durante o resto do ano em nossas rezas? De que adianta, se já está tudo
decidido? A resposta é que realmente, em Rosh Hashana foi decidido para cada
pessoa o que ela merece receber no próximo ano. Porém, quando melhoramos nossos
atos e nossa conduta, nos tornamos literalmente “outra pessoa”, e essa outra
pessoa merece muito mais do que foi decretado para o seu “eu” anterior. Que
possamos estar cada vez mais em elevação espiritual, para merecermos as
melhores bênçãos possíveis em Rosh Hashana.

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